As cadeiras não chegam para todos se acomodarem e é de pé que muitos assistem às últimas conferências e debates da Feira do Livro do Porto. Encontros entre leitores e escritores, entre escritores e escritores, entre antigos professores e alunos, entre companheiros do passado e entre futuros amigos. Em cima da mesa estão os livros. Do lado de fora da porta ficam os ouvidos atentos de quem quis entrar mas não chegou a tempo de marcar lugar na primeira fila. Restou a espera pelo final e a coragem para pedir um autógrafo ao seu escritor.
Ontem, Gonçalo M. Tavares e Pedro Eiras. Hoje, O Romance Histórico, por Fátima Marinho de Miguel Real.
Fica aqui parte dos diálogos dos protagonistas. O argumento completo da emissão twitter segue no Facebook em slideshow.
No Meio O(s) Livro(s) com Gonçalo M. Tavares e Pedro Eiras
Pedro Eiras
- Não sei muito bem onde começam e
acabam os rótulos: poesia, teatro e romance.
Gonçalo M. Tavares - Escrevo porque
estou espantado.
Pedro Eiras - Os livros de Gonçalo
M. Tavares colocam-me numa situação de perigo filosófico.
Gonçalo M. Tavares - Fascina-me
tanto o mal puro, como a bondade pura. Sinto-me afastado das duas coisas.
Gonçalo M.
Tavares - A moralidade é um ponto de
partida para a má literatura.
Pedro Eiras
- O que me interessa é a falha.
Gonçalo M.
Tavares - Levo dez vezes menos tempo a
escrever a matéria mais bruta, do que a cortar e a tornar as coisas mais sintéticas.
Gonçalo M.
Tavares - Para duas pessoas más, há dez
milhões de ingénuos.
Romance Histórico: Entre a Verdade e a Ficção com Maria de Fátima Marinho e Miguel
Real
Fátima Marinho - Parece
que é moda o romance histórico. É um fenómeno que não existia há 15 anos atrás.
Até há estantes nas livrarias com o título "romance histórico".
Fátima Marinho - A
deslocação da voz narrativa para alguém que não tinha a voz, ou para a 1ª pessoa
no passado, é um dado novo na obra de Miguel Real.
Miguel Real - O romance histórico não reproduz a realidade, mas ilumina a realidade
daquela época.
Miguel Real - Troquei a investigação em torno do Padre António Vieira, pela vida de
Branca Dias.
Miguel Real - A ficção nasce das viagens que faço. Vou à Índia daqui a dois meses, já se
sabe que daqui a um ano vai haver um novo romance.
Fátima Marinho - Os erros históricos são lamentáveis, mas a verdade não é o mais importante
num romance histórico.
Miguel Real - Não tenho na cabeça ser ensaísta ou escritor, mas ser professor. Depois há
coisas que me movem como a paixão ou o ódio.
Agustina vem fechar as portas da noite. O Auditório
recebe RETRATOS E AUTO-RETRATO DE AGUSTINA, de O Chapéu das Fitas a Voar (escritos
autobiográficos) a Longos Dias têm Cem Anos (narrativa biográfica). À conversa
vão estar Mónica Baldaque, Luís Abel Ferreira e Manuel Vieira da Cruz.
Foto de Pedro Zenkl/Agência Zero