79ª Feira do Livro do Porto encerra em alta

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«- Tem o Dom Casmurro do Machado de Assis?
- O último foi mesmo agorinha à coisa de 15 minutos.»

Próxima paragem numa estação mais acima.

«- Já tem a História Concisa de Portugal, do professor José Hermano Saraiva?
- Isso esgotou ontem e já não há mais para a Feira. Agora só na loja.»

«- Ó André, senta que o papá vai buscar o carro do Noddy».

O André senta-se no carrinho de bebé estacionado no meio dos Aliados. A mãe compra o livro infantil que traz o carro prometido. Os dedos do pai e do filho entrelaçam-se a desembrulhar o brinde. O colo é pequeno para acomodar as letras do Noddy. A mãe guarda o livro no saco detrás. As mãos do mais pequeno enconcham o brinquedo. As rodas do carrinho de bebé sobem até à Praça Garrett. Segue-se a última viagem à procura de livros que não estejam esgotados.

«Nem todos os editores podem fazer esses arraiais de livros que andam por aí», queixa-se um dos participantes referindo-se à promoção compre 3 leve 4 por parte do Grupo LeYa. A 79ª Feira do Livro do Porto está a terminar. Ainda há carros que circulam pela Avenida, param ao lado de um stand, abrem a janela e espreitam as sobras nas estantes. Dá tempo para encostar ao passeio e levar para casa um livro de última hora.
Em relação ao ano anterior estima-se que a subida de vendas tenha ultrapassado os 20%, a nível geral.
A organização faz um balanço positivo do evento no comunicado de imprensa:  

 

COMUNICADO DE IMPRENSA

 

79ª Feira do Livro do Porto encerra em alta

 A Feira do Livro do Porto despede-se dos Aliados, após 19 dias de intensa actividade em torno do livro e da leitura. O novo horário - a potenciar a visita à hora de almoço -, associado ao regresso do certame ao coração da cidade, contribuíram para a forte afluência de visitantes verificada, incluindo durante os dias úteis, assim como para um significativo aumento do volume de vendas em relação ao ano anterior.

Segundo Rui Beja, presidente da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), "O balanço da 79ª Feira do Livro do Porto é extremamente positivo. Durante as mais de duas semanas em que esta grande montra da edição, recente e remota, esteve à disposição dos visitantes, foi possível constatar que o livro continua a ser um objecto capaz de reunir à sua volta leitores das mais diversas faixas etárias, o que comprova que a aposta da organização na renovação do evento e na transferência do mesmo para o seu local de origem, tão querido pelos portuenses - a Avenida dos Aliados - foi ganha."

Horas do Conto, Ateliês de Expressão Artística, Oficinas de Tecnologias de Informação e Workshops de Experimentação Científica, merecem destaque entre as actividades dirigidas ao público infantil. Nas destinadas ao público jovem e adulto, distinguem-se lançamentos de livros, sessões de autógrafos, conferências, debates e diversas performances artísticas centradas no livro e na leitura.

"No meio, o(s) livro(s)", um conjunto de mesas-redondas que reuniram múltiplos escritores em conversa sobre as suas obras e em interacção com o público presente na plateia, constituíram, em paralelo com sessões de debate sobre a história e a sociedade portuguesa envolvendo um amplo leque de autores e investigadores, momentos de assinalável sucesso na programação cultural. Em especial destaque esteve, naturalmente, Luísa Dacosta, a autora homenageada, cuja vida e obra simbolizam e se confundem com o lema do certame - «Viver a Leitura».

"A Feira do Livro do Porto apresentou também uma nova imagem, marcada por pavilhões modernos, duas praças e um auditório, infra-estruturas adaptadas à dimensão que o certame já alcançou e que lhe conferem o carácter de modernidade que merece, proporcionando uma completa inversão relativamente à tendência regressiva, tanto de participantes como de visitantes, que se constatava nos últimos anos", acrescenta Avelino Soares, Director da Feira do Livro do Porto.

Foto de Pedro Zenkl/Agência Zero